sábado, 8 de outubro de 2011

Cadernos de Laura 4


photo: Lille, França, 02.05.2009.

Atordoada. É o que sinto neste exato momento. Sempre me desestruturo e você é sempre a causa dessa desestruturação. Não saberia dizer a razão do fato; ou sei e nem quero mo dizer porque acredito que mais desestruturada ficaria. É como se eu houvesse construído a mim mesma nessa relação simbiótica com o outro que me é completamente estranho, que sempre me escapa apesar de todos os esforços que faço para mudar a situação. Choro porque sei que estou errada e que tenho necessidade de me desvencilhar desses laços que me aprisionam a você; choro porque sei que nunca ocorrerá nenhuma mudança em você e que apenas a mim cabe a fuga a tal situação. Poderiam até pensar que sofrimento dessa espécie só tem solução com o rompimento total que até nele penso e que, no entanto, não vislumbro como resposta ao problema. Tenho consciência de que o problema está em mim e mudanças são urgentes - mudanças que urgem serem feitas em mim porque essa necessidade de viver em função do outro nao é saudável ----- mas esse é o grande xis, o mais dificil de todos, essa coisa de se conscientizar de que urge fazer algo e realmente realizá-lo. Como conseguir forças e, o mais importante, vontade forte para implementá-las? E assim fico triste, doída por dentro, e nada faço porque quando a tristeza for embora a dor cairá no esquecimento até que em outro momento a situação se repita e eu me diga a mesma coisa. Urge fazer algo.

sábado, 24 de setembro de 2011

"O amor também deve ser aprendido." Nietzsche, a gaia ciência
 
 photo: Marseille, uma cigarra está pousada no tronco da árvore, 10.08.2010.
"Amo aquele cuja alma se esbanja, que não quer gratidão e que não devolve: pois ele sempre dá e não quer poupar-se." Nietzsche, Assim falou Zaratustra
 Marseille, Praia do Prado, 08.08.2010.
"É que estava desamparado e sentia necessidade de dar, que era a forma como uma pessoa desajeitada sabia pedir." Clarice Lispector, A maçã no escuro
 photo: Marseille, Parc borely, 08.08.2010.
"eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais ... e quero capturar o presente que pela sua própria natureza me é interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no já." Clarice Lispector, Água viva.
 
photo: Munique, 25.07.2010.
"É necessário que o homem se reencontre a si próprio e se persuada de que nada pode salvá-lo de si mesmo, de sua liberdade, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus." Sartre



photo: Munique, Lago Herensberg, 31.07.2010.

Cadernos de Laura 3

A festa continua


É apenas um dia de festa como tantos outros e a noiva sorri o tempo todo para mostrar a todos a sua felicidade. Exterior apenas! Falsa felicidade porque sabe que não será feliz; como acreditar que aquele homem possua poderes que façam com que ela saia do poço em que mergulha de tempos em tempos? Por que depender do outro para usufruir as migalhas de alegrias que nos cabem? Como viver como a irmã e tantos outros que vivem ancorados em certezas que se esvaem num piscar de olhos? Aquele objeto de desejo tão sonhado é fugaz, assim como outros sonhos e desejos que nascem com o mesmo destino: se esvaírem tão logo realizados. Viver é isto: ser lançado no mundo e trilhar um caminho que não se sabe aonde leva.
Pode-se objetar: por que não se deixar ir, sem se preocupar com o fato de que a viagem é apenas de ida e que o fim é sempre o mesmo, não importa as nuances diferentes? A noiva responderia que seguir o rebanho é não tomar as rédeas do seu viver e que o mergulho no nada a fortalece; afinal quando retorna tem sempre a imagem do que a espera e não o elemento surpresa daquele que se abandona ao fluxo da vida sem pensar no que o aguarda ou que se sustenta em alguma muleta.
A noiva quer a liberdade de ser quem é, do jeito que é, e de realizar seu ser nas escolhas que faz porque quer e não porque o outro deseja - seu próprio eu é o referencial. Quem segue o rebanho não é livre, ilude-se até ao momento em que é confrontado no mais íntimo de seu ser e ou sucumbe por medo ou mais se apega à muleta. Ela apreendeu o absurdo da existência, a contingência de ser, sabe que apenas a ela cabe dar sentido ao que não tem sentido; e assim fazer tudo valer a pena. Exatamente porque se é livre e se está consciente de não ser uma "besta humana".


photo: Munique, 28.07.2010.
"[...] quand on a besoin des hommes, il faut bien s'ajuster à eux;" Molière, L'avare
 
photo: Munique, 30.07.2010.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cadernos de laura II

photo: Van Gogh, Neue Pinacoteca, Munique, 01.08.2010.

A dor é sempre insuportável. Nesses momentos sentimos o desespero do que significa sofrer; não sabemos o que devemos fazer para dar fim ao sofrimento. E esta é a questão que realmente importa: não sofrer. Da qual não podemos fugir porque o sofrimento vem acoplado ao pacote da vida: não há como viver e não sofrer. Sofremos o tempo todo - por nós, pelo outro, pouco, muito, não importa. Mas a memória é curta e quando a dor passa ela será esquecida rapidamente. Bon pour nous. Talvez aí esteja a resposta: a dor sempre passa; às vezes dói por muito tempo, mas é raro pois no mais das vezes ela se vai logo e ficamos no esquecimento. Até seu retorno.
O órgão doente pulsa o tempo todo como que para avisar: aqui estou eu! não se esqueça de mim! estou doente e preciso que você cuide de mim. Não se sabe o que fazer porque neste estado se quer apenas sair de si, não sentir, não sofrer a dor; nada ajuda porque a consciência da dor, do órgão que dói é mais forte que tudo e mais ainda permanecemos em nós mesmos: sofrendo.
Talvez a solução seja exatamente  sair de si. Mas como? A ocupação cotidiana é aquele bom antídoto para a angústia da morte sobre a qual Heidegger tanto falou. Nem isso conseguimos quando a dor nos atravessa, nada nos ocupa, e só nos resta nela permanecer até ao fim.
A pior dor é a psicológica, afinal, a dor física em algum momento passa, quando ingerimos  o analgésico adequado e ele faz o efeito - ou a morfina; não a dor que nem a morfina resolve porque essa é igual à psicológica num certo aspecto. Creio que o problema da dor psicológica é exatamente não se saber se passa ou não, e se passa, quando isso ocorre. Além do fato de que nós podemos intensificá-la de alguma forma, como quando se está sozinho e se alimenta as carências tornando a dor maior do que é, exacerbando-a pelo puro prazer de sofrer, pura autocomiseração. Para nada!


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais ... e quero capturar o presente que pela sua própria natureza me é interdito: o presente me foge, a atualidade me escapa, a atualidade sou eu sempre no já." Clarice Lispector, Água viva.




photo: Uma flor, Lille, França, 30.04.2009.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011



photo: Platão, museu em Munique, julho de 2010.

photo: Estátua de Atenas, museu em Munique, julho de 2010.

photo: Uma flor em Munique, julho de 2010.

Uma frase que li no livro Respire de Anna-Sophie Brasme e que é creditada a François Taillandier no livro Anielka:
"Il est en nous un être caché, inconnu, qui parle une langue étrangère, et avel lequel, tôt ou tard, nous devons entrer en conversation." 









photos: Castelo Linderhof, perto de Munique, 28.09.2004.

photo: Castelo de Moritzbury, perto de Dresden, 28.09.2004.






photo: O parlamento.



photo: Ponte das correntes.





photo: Ponte das correntes, à noite.


photo: O parlamento à noite, Budapeste, Hungria, outubro de 2004.

photo: Jesuitenkirche St. Augustin,Viena: a igreja mais linda em que já entrei.





photo: Burgtheater, Viena, Áustria.


photo: Igreja do voto (Votivkirche), Viena, Áustria. Foi construída em 1856-79 por Heinrich Ferstel no modelo das catedrais góticas francesas.
















photo: Palácio do Belvedere superior, Viena, Áustria.



photos: Viena, Áustria, 01 e 02.10.2004.






photo: Neus Rathaus (Nova Câmara Municipal), Viena, Áustria. Construído em 1872-83 por Friedrich Schmidt, que se inspirou nas formas neogóticas.

sábado, 30 de julho de 2011


 photo: fortaleza em Salzburg, Áustria, 30.09.2004.





photo: uma flor exótica.






















photos: Paisagens no sul da Alemanha, Fuessen, 27 e 28.09.2004.A pensão em que ficamos - Haus Elise - fica a quilômetros da fronteira da Áustria, daí essas paisagens deslumbrantes de picos nevados.