Uma poesia sem título
Alcina Magalhães
Ela contempla o espelho
e a imagem que vê a seduz,
não percebe a sombra
que insidiosamente desliza
atrás de si e a espreita com
olhos que dizem que o mal
se esconde atrás do bem.
"Criar nossas próprias realidades
seria a forma de nos salvar?"
Ela contempla o espelho
e se nutre de sonhos,
não percebe a Dama das Trevas
que a espia e traz o nada.
"Ou amar é a salvação?"
Ela contempla o espelho
e se olha de frente;
foge de si,
foge das verdades
que não quer enfrentar.
"Ou chega um momento em que a
única salvação para a vida é a morte?"
2005
sábado, 26 de janeiro de 2008
Outra poesia
Quero vagar por entre as nuvens
e deixar meu corpo flutuar
como se os flocos me levassem algures.
Quero caminhar na espuma branca
e seguir o fluxo,
surpreender o instante
e calar as palavras que teimam em nascer.
Quero pensamento vazio de palavras,
corpo vazio de ser.
Faço perguntas que sei
que não terão resposta;
uma fada me disse
que saber demais envelhece,
deve ser por isso
que olho minhas mãos
e as vejo tão enrugadas,
e me espanto
porque "sei que nada sei".
Desejo queimar minha pele
e acordar meus sentidos,
atordoar-me com o pôr-do-sol
apreciar seus raios trespassando as nuvens,
captar meu silêncio feito de sonhos;
preciso decifrar meus segredos escondidos,
enfrentar minhas verdades,
descobrir o que a mulher quer.
Só então revelar minhas fragilidades,
delirar com meus medos,
concluir o começado.
Quero cercar-me de vidas que não conheço,
preencher minha solidão com o vento,
abrir o peito e enchê-lo de nada
como se nada não fosse o vazio.
2005
e deixar meu corpo flutuar
como se os flocos me levassem algures.
Quero caminhar na espuma branca
e seguir o fluxo,
surpreender o instante
e calar as palavras que teimam em nascer.
Quero pensamento vazio de palavras,
corpo vazio de ser.
Faço perguntas que sei
que não terão resposta;
uma fada me disse
que saber demais envelhece,
deve ser por isso
que olho minhas mãos
e as vejo tão enrugadas,
e me espanto
porque "sei que nada sei".
Desejo queimar minha pele
e acordar meus sentidos,
atordoar-me com o pôr-do-sol
apreciar seus raios trespassando as nuvens,
captar meu silêncio feito de sonhos;
preciso decifrar meus segredos escondidos,
enfrentar minhas verdades,
descobrir o que a mulher quer.
Só então revelar minhas fragilidades,
delirar com meus medos,
concluir o começado.
Quero cercar-me de vidas que não conheço,
preencher minha solidão com o vento,
abrir o peito e enchê-lo de nada
como se nada não fosse o vazio.
2005
Mais poesia
Quero a vibração do instante
O presente me foge,
Clarice Lispector
Quero a vibração do instante
mas ele me escapa
e permaneço envolta por meu corpo frio.
Agora está amanhecendo
e a aurora é de neblina branca
no lago e na floresta.
Patos e gansos passeiam na margem.
Aspiro o ar gelado do campo,
estremeço de frio;
quisera estremecer de vida;
permaneço envolta pelo branco do gelo.
A vida do instante não existe;
o que existe é a lembrança fria do passado.
O amor também não existe;
o que existe é a lembrança fria de amar.
Quero vida e amor;
quero a vibração do instante;
mas eles me escapam.
Dresden – out/2004
O presente me foge,
Clarice Lispector
Quero a vibração do instante
mas ele me escapa
e permaneço envolta por meu corpo frio.
Agora está amanhecendo
e a aurora é de neblina branca
no lago e na floresta.
Patos e gansos passeiam na margem.
Aspiro o ar gelado do campo,
estremeço de frio;
quisera estremecer de vida;
permaneço envolta pelo branco do gelo.
A vida do instante não existe;
o que existe é a lembrança fria do passado.
O amor também não existe;
o que existe é a lembrança fria de amar.
Quero vida e amor;
quero a vibração do instante;
mas eles me escapam.
Dresden – out/2004
Viver sem Deus é fácil
Viver sem Deus é fácil. Ser bom sem Deus também é fácil. O difícil
é morrer sem Deus. Assim nasce a busca pela religião. Precisamos
dessa muleta para, quando a morte estiver à espreita, dela nos
valermos. O medo do desconhecido, após as visitas insidiosas que a
morte nos faz, engendra a necessidade de caminhar rumo a algo que
nos ajude nesse enfrentamento. Cada um tem o seu momento de viver
o Grande Medo: com freqüência, ele se apodera de nós à medida
que dela nos aproximamos. Somos livres para escolher a nossa
crença; o importante é extrairmos dela a coragem para seguir em
frente e não nos deixarmos ludibriar.
2007
é morrer sem Deus. Assim nasce a busca pela religião. Precisamos
dessa muleta para, quando a morte estiver à espreita, dela nos
valermos. O medo do desconhecido, após as visitas insidiosas que a
morte nos faz, engendra a necessidade de caminhar rumo a algo que
nos ajude nesse enfrentamento. Cada um tem o seu momento de viver
o Grande Medo: com freqüência, ele se apodera de nós à medida
que dela nos aproximamos. Somos livres para escolher a nossa
crença; o importante é extrairmos dela a coragem para seguir em
frente e não nos deixarmos ludibriar.
2007
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
A boneca
Alcina Magalhães
Estou perdida na floresta. Floresta negra e silenciosa que alimenta meus medos: dragões e serpentes espreitam por todos os lados. Não os vejo. Sinto o olhar. Caminho e aperto a boneca que trago no bolso; e o contato de teu corpo em minha mão me acalma. Cruzo o pântano. Sacio minha fome com a maçã que a macieira me oferta e observo as árvores que se adensam e não permitem que o sol penetre para aquecer meu corpo. A sensação de que estou no caminho certo me acompanha e sigo em frente.
Sorrio ao pensar nos seres que habitam a floresta e que me vêem como intrusa. Não quero passar a noite na escuridão que me domina e enfraquece. Vejo o lago e os patos que passeiam na margem. Tenho sede. Os esquilos correm e meu coração se enternece por tão pouco.
Não espero o milagre da chegada.
Alcina Magalhães
Estou perdida na floresta. Floresta negra e silenciosa que alimenta meus medos: dragões e serpentes espreitam por todos os lados. Não os vejo. Sinto o olhar. Caminho e aperto a boneca que trago no bolso; e o contato de teu corpo em minha mão me acalma. Cruzo o pântano. Sacio minha fome com a maçã que a macieira me oferta e observo as árvores que se adensam e não permitem que o sol penetre para aquecer meu corpo. A sensação de que estou no caminho certo me acompanha e sigo em frente.
Sorrio ao pensar nos seres que habitam a floresta e que me vêem como intrusa. Não quero passar a noite na escuridão que me domina e enfraquece. Vejo o lago e os patos que passeiam na margem. Tenho sede. Os esquilos correm e meu coração se enternece por tão pouco.
Não espero o milagre da chegada.
Minha mãe me acorda para a beleza da vida
Alcina Magalhães
Caminhei. Sem sentir fui ao topo da colina;
o que via era uma espessa neblina cobrindo o vale.
Sentei-me e esperei a nuvem passar;
mas ela relutava e insistia em turvar meu olhar.
O cansaço mergulhou-me em sono profundo.
Então sonhei e no sonho você me chamava e dizia:
“Filha, acorde! Olhe a linda paisagem que se descortina lá embaixo.”
Despertei e fiquei estupefata, pois a nuvem se dispersara
e o vale estava envolto em uma luminosidade dourada.
Alcina Magalhães
Caminhei. Sem sentir fui ao topo da colina;
o que via era uma espessa neblina cobrindo o vale.
Sentei-me e esperei a nuvem passar;
mas ela relutava e insistia em turvar meu olhar.
O cansaço mergulhou-me em sono profundo.
Então sonhei e no sonho você me chamava e dizia:
“Filha, acorde! Olhe a linda paisagem que se descortina lá embaixo.”
Despertei e fiquei estupefata, pois a nuvem se dispersara
e o vale estava envolto em uma luminosidade dourada.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Inauguração do blog
Ontem criei meu blog. Momento de emoção, afinal, será o local onde colocarei minhas fotos, meus textos e os textos que mexem comigo de alguma forma.
Um fragmento de Blake
"Man was made for joy and woe;
And when this we rightly know,
Thro' the world we safely go..." William Blake
And when this we rightly know,
Thro' the world we safely go..." William Blake
About me
idade: 58 anos
sexo: feminino
atividade preferida: aprender
profissão: amante da filosofia
local: Rio de Janeiro Brasil
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