Quero vagar por entre as nuvens
e deixar meu corpo flutuar
como se os flocos me levassem algures.
Quero caminhar na espuma branca
e seguir o fluxo,
surpreender o instante
e calar as palavras que teimam em nascer.
Quero pensamento vazio de palavras,
corpo vazio de ser.
Faço perguntas que sei
que não terão resposta;
uma fada me disse
que saber demais envelhece,
deve ser por isso
que olho minhas mãos
e as vejo tão enrugadas,
e me espanto
porque "sei que nada sei".
Desejo queimar minha pele
e acordar meus sentidos,
atordoar-me com o pôr-do-sol
apreciar seus raios trespassando as nuvens,
captar meu silêncio feito de sonhos;
preciso decifrar meus segredos escondidos,
enfrentar minhas verdades,
descobrir o que a mulher quer.
Só então revelar minhas fragilidades,
delirar com meus medos,
concluir o começado.
Quero cercar-me de vidas que não conheço,
preencher minha solidão com o vento,
abrir o peito e enchê-lo de nada
como se nada não fosse o vazio.
2005
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