sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A dor não passa
Alcina Magalhães


I cry. Meu único desejo é chorar a sua falta. Tudo é motivo para lembrar que você não mais existe, que não mais tenho a sua companhia e que aquele que o atropelou só merece meu desprezo e o desejo no fundo de minha alma que ele ou ela receba a dose de sofrimento que merece.
Hoje passei na praça e vi um gatinho com a pata traseira cortada por um humano. Não me contive e me afastei chorando. Rousseau acreditava na bondade do ser humano e eu a cada dia mais me convenço de que o homem tem a maldade dentro dele. São reflexos do nosso tempo. Essa necessidade de se sentir poderoso e dominador, os valores éticos que inexistem, as relações insípidas que são mantidas para fugir da solidão, a ilusão ao se conectar com várias pessoas ao mesmo tempo como se houvesse relacionamento verdadeiro nesse frenesi de e-mails trocados sem uma palavra que seja além das originárias que alguém criou - na maior parte das vezes, repletos de erros gramaticais - com o intuito de enviar uma mensagem que ajude alguém a refletir a respeito de alguma coisa - como se alguém realmente quisesse parar para pensar a respeito de alguma coisa - é tão mais simples, cômodo e prático seguir a matilha! pensar para quê?
Alguém poderia até me contradizer:
- Olha só como somos bonzinhos! estamos querendo ajudar ao outro. Rousseau está certo!
A minha gargalhada ecoa no escritório. Iludam-se sozinhos.
31.10.2008

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Uma viagem inútil
Alcina Magalhães


Hoje voltei ao passado:
uma viagem inútil.
Desejo difuso de algo
pulsando dentro de mim.
Substância viva se desfazendo
que não capta o absurdo
de ansiar regressar no Tempo.

Hoje voltei ao passado.
Mas os olhos
que a tudo contemplaram
não eram os de outrora;
eram frios,
sem emoção,
porque o passado está morto
e o eu de então
também morto está.
Não temos o que ressuscitar!

03.12.04
Um sonho
Alcina Magalhães



Sonhei com o homem sinistro,
meu predador natural.
Ele queria a casa arrombar
e meu mundo interior violar
O coração acelerou;
o medo se fez presente;
adveio uma tarefa urgente:
meus instintos despertar.


03.2004
Apenas uma pergunta
Alcina Magalhães



Que queres da vida?
Que teu Deus te conceda ilusões
e vivas os segundos, os minutos,
as horas, os dias, os meses, os anos,
acreditando que tudo está bem
e que o paraíso te espera?

Que sonhos irrealizáveis te embalem,
te levem a desejos e crenças
e a viagem não seja apenas de ida?
Que a primavera nunca termine
e o frio do inverno nunca se aproxime
para deixar teus ossos doídos?

Que a música penetre teu ser
e que nunca penses na morte?
Que os livros te ensinem tudo
que não saibas, inclusive como
ver-se livre da angústia
e deparar na esquina da vida
com teus fantasmas?

Que o sol aqueça teus momentos
e a tristeza não te apunhale a alma?
Que ressequido por dentro
tuas lágrimas não se transformem em pedras?
Que o amor exista para enganares
teus sonhos e desejos?
Que serás guerreiro e vencerás
a ti mesmo?
Out/2003
Não quero lábios de granito
Alcina Magalhães


Não quero lábios de granito
- não cumpras o rito -,
quero beijar a terra
e tudo que ela encerra,
quero me entranhar nas raízes –
vida mesclada com pó que foi vida – ,
e quando tu contemplares a flor
não saberás que a morte está dentro.
fev/2006

sábado, 4 de outubro de 2008


Eu não sabia que você far-me-ia tanta falta.
Quisera ter o poder de interferir nos acontecimentos e voltar no tempo. Refugio-me no mundo das idéias e o vejo me seguindo pela casa. 04.10.2008

Chatran DM
Arisco, macio e lindo!!

Il est mort à 12.07.2011.