Alcina Magalhães
Il fault dire qu' il est printemps. Mais nous ne pourrions pas dire que c' était un jour de printemps parce qu' il était froid et il pleuvait. Era apenas mais uma tarde de domingo em que ela estava só. Ouvia Liane Foly para se esquecer que estava só e que o telefone não tocava. Poderia morrer agora e ninguém saberia. Há algum tempo constatou que essa seria a sua vida; não lamenta o fato ou mesmo o julga, apenas o aceita. Se não fosse atéia iria à igreja como as pessoas normalmente fazem para escamotear a solidão, ou o medo de morrer. Mas não, isto ela jamais faria. Desde que leu Niels Lyne descobriu que ficaria firme em sua decisão de não necessitar acreditar em nada. Sabia que seria difícil mas seu lema era enfrentar as dificuldades e não abrir mão daquilo que considerava ser a melhor forma de ser, de viver. Acreditava saber tantas coisas e apenas quando viveu as situações é que se deparou com as reações que teria. Como agora, nessa tarde de domingo em que se sentia triste, sem vontade de fazer nada e mesmo assim fazia: lia, ouvia música, se alimentava, vivia a rotina de mais um dia. Se alguém a visse nesse momento diria que é mais uma mulher deprimida, chorando pelos cantos da casa, que não tem nenhum objetivo, ninguém para cuidar. O que ninguém sabe é que essa é apenas uma personagem que ela vive nesse momento em que escreve páginas e páginas de seu livro.
24/outubro/2010
Um comentário:
Querida Alcina, nada como uma tarde nublada de domingo para dar-nos o profundo silencio necessário da solidão. A solidão como silêncio. E a invenção como o tornar-se silêncio na solidão; silêncio enquanto escritura. Quero a continuação. beijos :)
Postar um comentário